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Soja

A soja é cultivada em todas as regiões do Brasil, embora com predominância nas Regiões Sul e Centro-Oeste, que respondem por 93% da produção. Na Região Norte, a soja é cultivada em Tocantins, no sul do Pará, em Roraima e em Rondônia. No Nordeste, ela está presente nos Estados do Maranhão, do Piauí, da Bahia e de Alagoas. No Sudeste, é cultivada em São Paulo e Minas Gerais. Estima-se que o agronegócio da soja ocupe mão-de-obra de 900 mil pessoas, entre trabalhadores rurais e mobilização familiar.

Até os anos 60, a cultura da soja esteve restrita ao Rio Grande do Sul, sendo de importância marginal no contexto do agronegócio brasileiro. No final daquela década, em virtude de diversos eventos internacionais favoráveis, a soja ganhou um impulso que colocou o Brasil na posição de maior exportador, a caminho de ser o maior produtor mundial. Com efeito, enquanto, em 1968, o Brasil produziu 600 mil toneladas, em 1979, ultrapassou os 10 milhões de toneladas, tendo atingido 24 milhões em 1989. Observa-se novo impulso produtivo a partir de 1998, quando foram colhidas 31 milhões de toneladas, que chegaram a 51 milhões em 2003. Para a safra 2004/2005, a previsão inicial aponta uma produção acima de 60 milhões de toneladas.

Foi graças à modernização da lavoura e à capacidade competitiva, que a soja em grão tornou-se o principal produto do agronegócio brasileiro e o item de maior importância da pauta de exportações do Brasil. Ademais, a soja é responsável pelo desenvolvimento da fronteira agrícola, pela interiorização do progresso, pela dinamização da economia interiorana e, consequentemente, pela fixação do homem nas pequenas e médias cidades do interior do País. Além do avanço espetacular por várias fronteiras agrícolas, o que chama a atenção nas estatísticas sobre a cultura da soja é o ganho de produtividade observado ao longo da sua trajetória. 

Enquanto eram produzidos 906 kg/ha em 1968, a produtividade foi de 1.240, 1.970 e 2.370 kg/ha ao final das décadas de 70, 80 e 90, respectivamente. No último registro oficial disponível (COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO, 2003; IBGE, 2003), consta a produtividade de 2.690 kg/ha. Esse ganho extraordinário permitiu que a produção crescesse 78 vezes, enquanto a área cultivada, apenas 26 vezes, entre 1968 e 2003. Sem a tecnologia disponível, em vez da atual exploração de 18,5 milhões de hectares, teriam sido necessários 55 milhões de hectares para obter aquela mesma produção.

A exploração dessa área – hipotética e irrealizável num ambiente de acirrada competição do mercado internacional – teria resultado em enormes impactos ambientais, decorrentes da ocupação de áreas e do uso de agrotóxicos muito além da capacidade de gerenciamento ambiental do passado recente. A produtividade é um dos indicadores do avanço tecnológico da cultura. Outro indicador é o volume de semente melhorada comercializado anualmente, que segue, aproximadamente, a mesma relação com a área cultivada, desde os anos 60.

Em 2003, foram comercializadas mais de 700 mil toneladas de semente. Entretanto, esse valor poderia ser de 10% a 15% maior, se não houvesse ocorrido o cultivo ilegal de cultivares provenientes da Argentina, que eram resistentes ao herbicida glifosato. Por conta da grande exposição ao mercado internacional, o comércio da soja é feito a preços transparentes, efetivado, principalmente, pela Bolsa de Mercadorias de Chicago.

É uma cultura altamente tecnificada e que impõe baixo custo de produção e escala elevada para garantir a lucratividade da lavoura. A oferta de tecnologia para a soja brasileira é capitaneada pela Embrapa Soja que é, historicamente, o principal gerador de inovações ou adaptações tecnológicas daquela cultura. Além dessa instituição, diversas organizações públicas e privadas concorrem para que o Brasil detenha tecnologia própria e seja o principal gerador dessa tecnologia para a região tropical do planeta.

Em virtude da exigência de tecnificação como fator integrante de sua competitividade, o sojicultor médio não apenas é receptivo a novas tecnologias como também recorre continuamente à ajuda de instituições de pesquisa e assistência técnica, em busca de novos avanços tecnológicos. Esses, por sua vez, sempre incorporam as Boas Práticas Agrícolas, visando garantir a segurança dos alimentos, a proteção à saúde do elemento humano, a redução do impacto ambiental da atividade agrícola e a agregação de valor ao produto.

Exigências hídricas

No primeiro período tanto o excesso de água quanto o déficit são prejudiciais à cultura uma vez que a semente de soja necessita absorver, no mínimo, 50% de seu peso em água para assegurar boa germinação, sendo que nessa fase, o conteúdo de água no solo não deve exceder a 85% do total máximo de água disponível e nem ser inferior a 50% (EMBRAPA, 2011; FARIAS; NEPOMUCENO; NEUMAIER, 2007).

Durante o desenvolvimento da cultura a necessidade de água vai aumentando, atingindo o máximo durante a floração/enchimento de grãos (7 a 8 mm/dia), decrescendo logo após esse período (EMBRAPA SOJA, 2011; FARIAS; NEPOMUCENO; NEUMAIER, 2007).

A necessidade total de água na cultura da soja, para obtenção do máximo rendimento, ao que se refere à necessidade hídrica varia entre 450 a 800 mm/ciclo (EMBRAPA, 2011).

Exigências térmicas

As condições ótimas de temperatura para a cultura da soja estão entre 20ºC e 30ºC, sendo a temperatura ideal para seu crescimento e desenvolvimento está em torno de 30ºC (GIANLUPPI et al., 2009; EMBRAPA, 2011; FARIAS; NEPOMUCENO; NEUMAIER, 2007).

Já faixa de temperatura do solo adequada para semeadura varia de 20ºC a 30ºC, sendo 25ºC a temperatura ideal para rápida e uniforme emergência das plântulas (GIANLUPPI et al., 2009; EMBRAPA, 2011).

O crescimento vegetativo da soja é pequeno ou nulo em temperaturas menores ou iguais a 10ºC. Acima de 40ºC ocorre efeito adverso na taxa de crescimento provocando danos na floração e diminuindo a capacidade de retenção de vagens (GIANLUPPI et al., 2009; EMBRAPA, 2011; FARIAS; NEPOMUCENO; NEUMAIER, 2007).